
Há um padrão em formação entre grandes bancos de varejo no Brasil: concentrar produtos, canais e jornadas em um único aplicativo. Nos últimos 90 dias, o Origin detectou 2 casos semelhantes de consolidação de plataforma no setor financeiro — um sinal ainda fraco, mas consistente com o que apareceu nas conversas do último evento do setor bancário. O recorte mais interessante vem de instituições com especialização setorial, voltadas a tecnologia, que costumam antecipar movimentos de arquitetura antes do mercado generalista.
O motivo do movimento é razoável. Anos de aquisições, verticais de produto e canais criados em ondas diferentes produziram um portfólio que o cliente percebe como fragmentado: vários logins, várias marcas internas, várias lógicas de atendimento. Consolidar no front é a forma mais rápida e mais visível de reduzir esse atrito. É também a que gera narrativa para o mercado.
O que costuma vir depois é o problema. Na linguagem de consolidação de plataforma, o movimento raramente é só de interface: implica substituição de core, fusão de sistemas que nunca conversaram e migração anunciada antes de estar resolvida. A camada de front é reescrita em meses; o modelo de dados, os cadastros duplicados, as regras de produto e as definições divergentes de cliente e de saldo levam muito mais tempo. Quando o app unifica a experiência sem que os domínios de dados tenham sido unificados, o resultado é um agregador elegante de inconsistências — que aparece primeiro em atendimento, depois em risco e crédito, e por último em auditoria e regulatório.
A pergunta que um CTO deveria estar fazendo não é se o app único é o caminho — provavelmente é. É outra: quando o front estiver consolidado, quantas versões da verdade sobre o mesmo cliente ainda vão existir atrás dele, e quem é o dono de cada uma delas?
Se você está no meio de uma consolidação dessas, vale comparar leituras — a nossa está aberta.
